Título: Bibliotecas no Mundo Antigo
Autor: Lionel Casson
Tradução: Cristina Antunes
Editora: Vestígio

Páginas: 208
Ano: 2018

ISBN: 9788582863961
Onde Comprar:
 Amazon - Saraiva

Sinopse: 
Esta deliciosa obra conta a história das bibliotecas antigas desde suas origens, quando “livros” eram tábuas de cerâmica e a escrita, um fenômeno novo. O renomado estudioso clássico Lionel Casson nos conduz em uma animada viagem, partindo das bibliotecas reais do Antigo Oriente, passando pelas bibliotecas públicas e privadas da Grécia e de Roma, até as primeiras bibliotecas monásticas cristãs. Casson traça o desenvolvimento das construções, os sistemas, acervos e patronos das bibliotecas, considerando questões de uma ampla variedade de tópicos, como: quem contribuiu para o desenvolvimento das bibliotecas públicas, especialmente a grande Biblioteca de Alexandria? O que as bibliotecas antigas incluíam em seu acervo? Como bibliotecas antigas adquiriam livros? Qual era a natureza das publicações no mundo greco-romano? Como o cristianismo transformou a natureza dos acervos bibliotecários?
Assim como uma biblioteca recompensa quem a explora com tesouros inesperados, este interessante livro oferece a seus leitores a história surpreendente da ascensão e do desenvolvimento de bibliotecas antigas – uma história fascinante que nunca foi contada antes.

Resenha: Escrito pelo autor estadunidense Lionel Casson, Bibliotecas no Mundo é um livro que visa nos apresentar os primórdios e as primeiras bibliotecas que surgiram no mundo. É no Oriente Médio, entre os anos de 3.000 e 2.500 antes de Cristo que surgiram os primeiros livros utilizando a matéria-prima argila. A escrita dessa época ficou conhecida como cuneiforme e continha informações como: rituais religiosos e transações comerciais. Nesse período histórico o acesso a tais conteúdos era restrito, primeiro pelo fato de poucas pessoas serem capaz de ler e escrever, mas principalmente porque as bibliotecas eram exclusividade real.

Em meados do século XIII a.C., fez-se necessário criar um meio para identificar às tabuletas de argila para que pudessem ser catalogadas e para isso começou a utilizar notas de identificação. Informações adicionais eram incluídas nas tabuletas como: o lote ou conjunto que ela integrava; o nome do autor; o nome do escriba e até mesmo se a tabuleta foi transferida de um local para o outro.
"Foi no Egito e na Mesopotâmia, terras abundantemente irrigadas por grandes rios, que surgiu a civilização. É lá que encontramos os mais antigos exemplos desse aspecto fundamental da civilização: a escrita." p. 11.

Alguns séculos depois, foi no Oriente por meio do rei Assurbanípal da Assíria que surgiu a Biblioteca de Nínive (cidade localizada na margem ocidental do rio Tigre) ou Biblioteca de Assurbanípal. Essa biblioteca foi fundada por volta do ano de 648 a.C. no palácio real e era exclusivamente composta pela coleção particular do rei Assurbanípal que possuía milhares de textos cuneiformes, trata-se da primeira biblioteca particular na história.

A Grécia Antiga é considerada o berço da civilização ocidental e em seus primórdios os primeiros livros possuíam apenas um exemplar, mas vendo a necessidade de mais pessoas conhecerem os seus textos, os autores passaram a disponibilizar cópias de seus trabalhos para outras pessoas e principalmente para os amigos. É no final do século V a.C. que surge os primeiros vendedores de livros. Por volta do século IV a.C., o número de pessoas que tinha interesse pela leitura aumenta drasticamente, esse interesse pela leitura é principalmente ler pelo prazer, não era um tipo de leitura por necessidade ou obrigação e já naquela época era possível encontrar obras que abordavam diversos temas.

Nas primeiras décadas do século III a.C., surge na cidade portuária de Alexandria (Egito) a primeira biblioteca pública naquele mundo até então conhecido, biblioteca essa em que era possível encontrar rolos de livros que eram organizados conforme o seu conteúdo. A biblioteca de Alexandria foi patrocinada por Cláudio Ptlomeu e era um dos maiores centros do saber da antiguidade. Com o surgimento e expansão da República e posteriormente do Império Romano é que as bibliotecas ganham força e passam a ser utilizadas como espaço para leitura e estudo.
Opinião: Bibliotecas no Mundo Antigo é um livro fabuloso, repleto de informações e curiosidades. Casson nos transporta para o mundo antigo, para períodos remotos da história e assim nos possibilita conhecer melhor as nuances e importância da escrita e dos livros, mas principalmente das bibliotecas e o quão impactante elas foram na vida das pessoas. É interessante poder conhecer como os administradores e bibliotecários organizavam as obras literárias, criando glossários e notas sobre os títulos, facilitando assim a vida de estudiosos e pesquisadores da época. Casson também demonstra como as bibliotecas foram criadas na Grécia Antiga e principalmente no Império Romano, a disseminação delas em Roma e o quanto acessível elas ficaram. 
Essa foi uma leitura fluida e prazerosa, o autor nos leva a fazer uma viagem por séculos e nos permite conhecer de perto toda a evolução da escrita, passando pela escrita cuneiforme, pela utilização de papiros, pergaminhos e códices na idade média. Super indico essa leitura para todos que curtem história, gostam de curiosidades e amam ler. Agradeço ao Grupo Autêntica por esse livro maravilhoso que me enviaram.


Sobre a Edição: A edição está super caprichada, a capa é muito bonita e retrata muito bem o conteúdo do livro. O exemplar conta com mapas e imagens, bem como arquiteturas, dados de estruturas e organização das bibliotecas. As folhas são amareladas (papel off-white 90), a diagramação ficou muito boa, assim como a revisão. A Editora Vestígio está de parabéns pelo trabalho apresentado, a edição ficou impecável e rica em detalhes.

Sobre o Autor: Foi professor de Estudos Clássicos na Universidade de Nova York de 1961 a 1979. Além de se especializar na história marítima do mundo ocidental, também se aventurou no estudo de literatura grega. Em 2005, foi premiado com o Gold Medal Award for Distinguished Archaeological Achievement [Prêmio Medalha de Ouro para Realizações Arqueológicas Notáveis]. Casson morreu em julho de 2009, deixando cerca de 23 livros publicados.