Título: Bom Dia, Verônica
Autor: Andrea Killmore
Editora: Darkside Books
Página: 256
Ano: 2016
ISBN: 9788594540171
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: Andrea Killmore faz sua estreia com um livro que está destinado a se tornar uma referência na literatura policial brasileira. Amiga íntima do perigo, ela é uma revelação que não pode ser revelada, e seu verdadeiro nome continua um mistério. Em outra vida, ela foi alguém importante dentro da polícia. Após trabalhar infiltrada em um caso e sofrer uma grande perda pessoal, viu-se obrigada a assumir uma nova identidade. E com ela, uma nova vocação. Assim nasceu Andrea Killmore. Em 'Bom dia, Verônica', acompanhamos a secretária da polícia Verônica Torres, que, na mesma semana, presencia de forma chocante o suicídio de uma jovem e recebe uma ligação anônima de uma mulher desesperada clamando por sua vida. Com sua habilidade e sua determinação, ela vê a oportunidade que sempre quis para mostrar sua competência investigativa e decide mergulhar sozinha nos dois casos. No entanto, essas investigações teoricamente simples se tornam verdadeiros redemoinhos e colocam Verônica diante do lado mais sombrio do homem, em que um mundo perverso e irreal precisa ser confrontado. Andrea Killmore compõe thrillers como os grandes mestres, e sua experiência de vida confere uma autenticidade que poucas vezes encontramos em suspenses policiais, vibrante e cruel — como a realidade.

Resenha: Verônica Torres ou Verô, é casada, mãe de dois filhos e trabalha como secretária do delegado Carvana na DHPP, na cidade de São Paulo. Verô vai levando um vida pacata, presa na rotina do casamento e do trabalho, acha sua vida chata e isso a leva a fazer as coisas de forma automática. Algo então muda a sua vida, em certo dia ao chegar no trabalho, ela vê uma mulher com uma forte infecção nos lábios saindo da sala do delegado Carvana, além disso a mesma se apresenta abatida e triste. Essa mulher é Marta, mas o pior acontece, ela se joga do 11º andar do prédio da DHPP.

"Naquela segunda-feira em que começou o fim da minha, ela foi a primeira pessoa a me dar realmente "bom dia". Disse com os olhos, enquanto me encarava, como diante do espelho." p. 13.

Verô diante do acontecimento procura sair da inércia e busca as motivações que levaram a desesperada mulher cometer um dos maiores atos de desespero que um ser humano pode realizar, que é o suicídio. Dessa forma , Verô começa a realizar uma investigação particular, escondida de seu chefe. Porém, em um breve período de tempo, outra caso caí em seu colo, algo totalmente inesperado, pois ela é uma secretária e não uma investigadora profissional, mas tocada, acaba por realizar outra investigação simultânea.

Essa outra investigação inicia-se com Janete, mulher do interior, dona de casa fiel e submissa ao marido, que em um lapso de coragem tenta entrar em contato com Verônica. Janete busca em Verônica uma luz, um apoio, pois acredita que ela possa ajudar. A dona de casa acredita que o marido esteja assassinando mulheres e não é só isso, pensa piamente que vai ser uma das próximas vítimas do marido.

Tudo mudo quando o esposo chega em casa, Janete não sabe se tomou a decisão correta. Em alguns momentos Brandão se mostra um homem brutal, por outro lado ele é capaz de amar e mimar a sua esposa. Vemos então que Janete é capaz de suportar o mau humor do marido enquanto ele continuasse a amá-la, porém ela não sabe até quando.

"Não chorei as dores do mundo, mas minhas dores já eram o suficiente para me inundar por completo." p. 239.

Uma dúvida cresce na cabeça de Janete, ela não sabe se o marido é capaz de cometer assassinatos, isso juntando às constantes ameaças, violências e o fato de ser obrigada a cooptar mulheres, além é claro das torturas que o marido comete, tudo isso abala totalmente as suas estruturas, porém um novo acontecimento deixa em um beco sem saída e ela não sabe qual caminho deverá escolher.
Opinião: Andrea Killmore apresenta a narrativa pela ótica de Verônica Torres e Janete Brandão.  A história ocorre na cidade de São Paulo e retrata sobre o amor cego e também sobre a devoção se escrúpulos que esse tipo de amor ocasiona. 
O livro é intenso e envolvente, a leitura fluiu muito bem, além disso Killmore nos traz diversas informações técnicas e críticas sobre o funcionamento da Polícia Civil, da justiça brasileira e não para por aí, pois também pincela alguns quadros sobre o funcionamento de um IML. Outro aspecto relevante da obra é a abordagem feita, mesma que de forma não profunda, sobre a cultura indígena.
A obra tem muitos momentos de violência e Killmore não busca proteger o leitor. As cenas de violência são jogadas de forma nua e crua ao leitor, com todas as minucias e detalhes possíveis, o que inclui sadomasoquismo. Esse é um livro poderoso, que levanta questionamentos sobre o certo e errado na busca pela justiça.
Bom Dia, Verônica é um livro intenso do início ao fim, são apresentados mistérios, reviravoltas, crimes diversos, um grande thriller policial que certamente vai agradar aos fãs do gênero. Super recomendo a leitura, não somente para os fãs do gênero, mas para todos que curtem literatura nacional e uma obra bem construída.
A edição está muito bela, a Darkside outra vez arrasa e nos presenteia com uma edição primorosa, extremamente caprichada. As folhas são amareladas e grossas, existem imagens de diversos objetos utilizados no decorrer da trama, como ferramentas de torturas, acrescenta-se ao fato de o livro ser em capa dura, possuir marcador em fita de cetim, tem-se em mãos um livro espetacular.