Título: Uni-Duni-Tê
Autor: M. J. Arlidge
Editora: Record
Páginas: 322
Ano: 2016
ISBN: 9788501105264
Onde Comprar: Livraria Cultura - Saraiva

Sinopse: Um assassino está à solta. Sua mente doentia criou um jogo macabro no qual duas pessoas são submetidas a uma situação extrema: viver ou morrer. Só um deverá sobreviver. Um jovem casal acorda sem saber onde está. Amy e Sam foram dopados, capturados, presos e privados de água e comida. E não há como escapar. De repente, um celular toca com uma mensagem que diz que no chão há uma arma, carregada com uma única bala. Juntos, eles precisam decidir quem morre e quem sobrevive. Em poucos dias, outros pares de vítimas são sequestrados e confrontados com esta terrível escolha. À frente da investigação está a detetive Helen Grace, que, na tentativa de descobrir a identidade desse misterioso e cruel serial killer, é obrigada a encarar seus próprios demônios. Em uma trama violenta que traz à tona o pior da natureza humana, Grace percebe que a chave para resolver este enigma está nos sobreviventes. E ela precisa correr contra o tempo, antes que mais inocentes morram.

Resenha: A obra inicia-se com uma história macabra e perturbadora, com o casal de namorados Amy e Sam que haviam acabado de assistir um show em Londres e voltavam para casa, porém pediam carona e em certo momento uma van branca parou com uma mulher oferecendo ajuda, todavia não sabiam que tinham acabado de cair em uma armadilha.

Durante a carona Amy e Sam recebem da caroneira um pouco de café para se esquentarem, pois estavam molhados da chuva que pegaram, porém o casal acorda em uma piscina abandonada, com cerca de cinco metros de profundidade e sem chances de escaparem. Dessa forma, os dois são mantidos presos e recebem apenas o contato do sequestrador, que condiciona a liberdade, a possibilidade de vida com a obrigatoriedade de um matar o outro, para isso tem um revolver na piscina, com apenas uma bala.

"A mulher gritava de dor. E depois ficava quieta. Linhas arroxeadas se formavam ao longo de suas costas. Jake ergueu novamente a chibata, fazendo-a descer com um estalo." p. 7.

No início, o casal não pensou em tal hipótese e ficaram unidos. Porém com o decorrer do tempo eles ficaram sem comida, a união foi sendo quebrada aos poucos, imaginavam formas de escapar, mas tudo era em vão, a única forma era um dos dois morrerem. Com o passar dos dias e com sua sanidade mental afetada, Amy acaba por matar o seu namorado e ganha a liberdade.

"Lágrimas inundaram os olhos de Amy e sua cabeça pendeu sobre o peito. Tinha as palmas das mãos levemente esfoladas. Isso talvez fosse compatível com o esforço para se firmar numa escada de corda." p. 23.

A sobrevivente busca a polícia, relatando a sua história, todavia o seu caso não foi algo isolado, pois pouco tempo depois outro caso muito aparecido acaba nas mãos da polícia e ai entra Helen Grace, considerada uma das melhores investigadores, ficando responsável por descobrir, caçar e capturar a pessoa responsável pelo assassinato em série.

"Helen verificou o arquivo. Sandra Lawton era uma romântica obsessiva que, quando rejeitada, tornava-se insuportável. Tinhas três condenações por intimidação." p. 85.

Com o decorrer do tempo o jogo, os assassinatos ficam mais brutais. Enquanto Helen busca o responsável, ela se vê envolvida nos jogos macabros, fantasmas do passado retornam para a sua vida e os seus piores pesadelos voltam para atormentá-la, ganhando vida.

Opinião: Arlidge apresenta ao leitor uma obra que repleta de adrenalina e mistérios, onde acompanhamos os horrores aos quais as vítimas são submetidas em um jogo macabro. Em certos momentos, devido ao toque de violência e mesmo ao esquema de sobrevivência, a obra me lembrou os Jogos Mortais.
O livro é narrado em terceira pessoa, apresenta uma leitura muito fluída, além disso o autor conseguiu prender minha atenção do início ao fim. Arlidge criou um cenário repleto de personagens, porém isso não me causou confusão. Outro ponto positivo é que através da personagem principal Helen, a autora vai desvendando todo o quebra cabeça que é apresentando, dando uma explicação para tudo, não deixando pontas soltas.
Um fato curioso, é que durante a leitura, por diversas vezes eu me colocava no lugar das vítimas, para analisar se existia alguma forma ou possibilidade de fugir, de encarar o jogo, como poderia sobreviver e se conseguiria fazer os sacrifícios necessários para poder viver.
Uni-Duni-Tê é uma thriller muito psicológico e também pesado, além de nos apresentar e narrar as mortes de forma nua e crua, aborda também um relacionamento amoroso bem conflituoso da inspetora Helen. O livro possui um final extremamente eletrizante e repleto de tensão, é uma leitura perfeita para os fãs do gênero ou mesmo para aqueles que querem apenas uma leitura de qualidade.
A Editora Record está de parabéns pelo projeto gráfico, pela bela edição capa e edição publicada. A capa é repleta de detalhes, árvores, pássaros, borrões em vermelho para representar o sangue das vítimas. A fonte é confortável e as folhas são amareladas, o livro ainda possui orelhas e capítulos curtos, o que dinamiza a leitura.