Título: Confissões do Crematório
Autor: Caitlin Doughty
Editora: Darkside Books
Páginas: 260
Ano: 2016
ISBN: 9788594540003
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse:
 Ainda jovem, Caitlin conseguiu emprego em um crematório na Califórnia e aprendeu muito mais do que imaginava barbeando cadáveres e preparando corpos para a incineração. A exposição constante à morte mudou completamente sua forma de encarar a vida e a levou a escrever um livro diferente de tudo o que você já leu sobre o assunto.
Confissões do Crematório reúne histórias reais do dia a dia de uma casa funerária, inúmeras curiosidades e fatos históricos, mitológicos e filosóficos. Tudo, é claro, com uma boa dose de humor. Enquanto varre as cinzas das máquinas de incineração ou explica com o que um crânio em chamas se parece, ela desmistifica a morte para si e para seus leitores.

Resenha: Confissões do Crematório é a primeira obra de não ficção que integra a linha DarkLove da Darkside Books. A autora Caitlin Doughty, nos traz informações e histórias de quando ainda era jovem, por volta dos seus vinte e poucos anos, quando começou a trabalhar em um crematório. 

"Uma garota nunca esquece o primeiro cadáver que barbeia. É o único evento na vida dela mais constrangedor do que o primeiro beijo ou a perda da virgindade." p. 17.

A autora quando começou a trabalhar, foi no cargo de operadora de forno crematório na Westwind Cremation & Burial, algo que durou um ano, até ela conseguir a licença de agente funerário, cargo em que ocupa atualmente. A autora com as experiências adquiridas diariamente através do seu trabalho e também por sua formação acadêmica (História), resolveu compartilhar as histórias, reflexões e como as culturas tratam o tema morte. 

"Embora você possa nunca ter ido a um enterro, dois humanos do planeta morrem por segundo. Oito no tempo que você levou para ler essa frase. Agora, estamos em quatorze." p. 51.

Durante a parte introdutória a autora nos traz informações acerca da autenticidade dos seus relatos, que foram baseados em história verdadeiras, com pessoas reais, deixando claro para o leitor o que o aguarda.  No decorrer da leitura vamos descobrindo histórias de pessoas que morreram sozinhas, como as pessoas próximas e suas respectivas famílias reagem diante do falecimento. 

A autora discorre sobre os bastidores de uma funerária, o que acontece com o corpor depois de entregue, como é preparado, os rituais fúnebres, os efeitos que a morte causa nos corpos das pessoas mortas e a necessidade de se preparar para o fim da vida, como os custos inerentes aos serviços funerários.

"Por mais que muitos vejam o suicídio como algo cruel e egoísta, acho que meio que apoiei a decisão de Jacob. Se cada dia da vida dele era pura infelicidade, eu não podia exigir que o rapaz ficasse vivo e aguentasse mais desse sentimento." p. 65.

Enquanto a autora nos conta a sua rotina, ela demonstra aspectos e fatos históricos, filosóficos e mitológicos que se relacionam com a mortalidade, deixando claro que cada povo tem suas peculiaridades no trato dos cadáveres.

"[...] Um cadáver não precisa que você lembre dele. Na verdade, não precisa de mais nada - fica mais do que satisfeito de ficar ali, deitado, apodrecendo. É você que precisa do cadáver. Ao olhar para o corpo, você entende que a pessoa se foi, que não é mais uma participante ativa do jogo da vida. Ao olhar para o corpo, você se vê nele e sabe que também vai morrer." p. 178.

Por fim, o livro é dividido em capítulos em que cada um revela os últimos momentos de determinada pessoa, antes dela ser consumida pelas chamas. A autora ainda, nos passa a mensagem de que todos somos iguais, não existem pessoas ricas ou pobres, pois o forno não faz essa diferenciação, apenas as transforma em cinzas quando podem pagar por isso. Quem não tem dinheiro, era bancado pelo estado.

Opinião: Confissões do Crematório retrata um tema complicado para muitos que é a morte. A autora aborda as nuances inerentes ao tema, as famílias, a sociedade, a prestação de serviço funerário e o seu funcionamento, detalhando magistralmente com diversas informações.
Caitlin impressiona através da sua narrativa que se mostrou envolvente e muito humorada, pois o tema morte é delicado, tendo em vista que os seres humanos em geral evitam falar e procuram prolongar a vida. Foi interessante ver o posicionamento da autora em relação ao mundo da indústria funerária, se mostrando contra a visão puramente comercial.
Gostei muito das reflexões filosóficas que Caitlin insere em seu livro, pois são pensamentos, frases que buscam desmistificar a morte. Caitlin ainda levanta o debate sobre refletirmos, pensarmos sobre nossa mortalidade, a importância de encararmos a morte como algo natural ao ser humano, levando em conta, que a morte é a única certeza que temos em vida.
Confissões do Crematório se mostrou um livro divertido, de rápida leitura, com uma narrativa simples e envolvente, além é claro de possuir inúmeras informações e curiosidades. Recomendo para todos que um dia vai morrer e deseja saber um pouco sobre a morte.
O projeto gráfico da Darkside Books está sensacional. Dos livros lançados esse ano, Confissões do Crematório está entre os três mais lindos. A capa é dura, padrão limited edition, possui imagens de anatomia, notas sobre fontes bibliográficas, folhas amareladas, marcador em fita tecido e as laterais das folhas em vermelho.


Unboxing
Por Yvens Castro