Título: Gwendy's Button Box / A Pequena Caixa de Gwendy
Autor: Stephen King e Richard Chizmar
Tradução: Regiane Winarski
Editora: Cemetery Dance Publications / Suma
Páginas: 171 / 168
Ano: 2017 / 2018
ISBN: 9781587676109 / 9788556510754
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse:
A pequena cidade de Castle Rock testemunhou alguns eventos estranhos ao longo dos anos, mas existe uma história que nunca foi contada... até agora. Viaje de volta a Castle Rock nesta história eletrizante de Stephen King, o mestre do terror, e Richard Chizmar, autor premiado de A Long December. O universo misterioso e assustador dessa pacata cidadezinha do Maine já foi cenário de outros clássicos de King, como Cujo e A zona morta, e deu origem à série de TV da Hulu. Há três caminhos para subir até Castle View a partir da cidade de Castle Rock: pela rodovia 117, pela Estrada Pleasant e pela Escada Suicida. Em todos os dias do verão de 1974, Gwendy Peterson, de doze anos, vai pela escada, que fica presa por parafusos de ferro fortes (ainda que enferrujados pelo tempo) e sobe em ziguezague pela encosta do penhasco. Certo dia, um estranho a chama do alto: "Ei, garota. Vem aqui um pouco. A gente precisa conversar, você e eu". Em um banco na sombra, perto do caminho de cascalho que leva da escada até o Parque Recreativo de Castle View, há um homem de calça jeans preta, casaco preto e uma camisa branca desabotoada no alto. Na cabeça tem um chapeuzinho preto arrumado. Vai chegar um dia em que Gwendy terá pesadelos com isso.
Resenha: Quando a pequena Gwendy caminha em direção a escadaria do suicídio para ir até Castle View, acaba por encontrar um homem bem no topo da tal escadaria. Ela fica um pouco receosa, pois sabe que existem todos os tipos de pessoas estranhas no mundo, inclusive as que gostavam de machucar crianças. Mas quando aquele estranho a interpela e diz que precisa ter uma conversa com ela, Gwendy coloca em prática o que toda criança é ensinada desde que se entende por gente: Não falar com estranhos.

Sr. Farris, o homem que chamou Gwendy para uma conversa, tem uma boa lábia e convence a menina que ele está só por causa dela e nunca iria machucá-la, pelo contrário, ele tinha mesmo uma coisa para entregar para ela, um “presente”. Foi assim que Gwendy ganhou sua pequena caixa, com pequenas alavancas que lhe dão pequeninos e saciáveis doces de chocolate em formato de animaizinhos e os temíveis botões, verde claro, verde escuro, laranja, amarelo, azul, violeta e o preto.
EDIÇÃO LIMITADA - LONELY ROAD BOOKS
Gwendy sabia que jamais apertaria aqueles botões, mas a alavanca sim. Ela já havia ganho algumas moedas raras que valiam um bom dinheiro e aqueles chocolates que ela passou a amar, que não só a saciavam, mesmo comendo apenas um pequenininho, como pareciam fazer com que ela se alimentasse melhor e sempre sem repetir. Isso era bom, pois Gwendy era uma garota grande para sua idade, bem alta, e ainda estava crescendo, então, comer bem sem repetir, já era uma boa coisa para ela, principalmente por causa dos apelidos maldosos na escola.

"- Eu respondi a sua pergunta, agora é a sua vez! O que acontece se eu apertar um desses botões? O que acontece se eu apertar o da África, por exemplo? E assim que seu polegar tocou o botão verde escuro, ela sentiu um desejo, não tão forte, mas notável, de apertá-lo e descobrir por si mesma." [tradução livre]

A vida na casa de Gwendy também não era um mar de rosas, seus pais trabalhavam e não tinham muito carinho um com o outro. Ela sabia que eles se importavam com ela, mas também sabia que seus pais tinham seus problemas, inclusive o da bebida. Ela não sabia exatamente se eram ou não, mas para Gwendy, seus pais eram alcoólatras daqueles que nem percebiam que eram.
Foi depois da conversa com Sr. Farris e ter recebido a pequena caixa, que as coisas começaram a mudar para Gwendy. Ela estava crescendo e ficando cada vez mais bonita, mais inteligente e se sentindo cada vez melhor também. Mas a grande mudança mesmo que ela notara foi com relação aos seus pais. Eles tinham simplesmente largado a bebida, estavam mais presentes e, para o grande espanto de Gwendy, estavam se amando novamente.

Com as grandes mudanças que estavam acontecendo em sua vida, Gwendy, depois de algumas dúvidas, agora tinha a total certeza de que aquela sua caixa era a grande responsável por tudo o que estava acontecendo. Ela agora sabia que aquela caixa ficaria sempre com ela. Sempre!! Mas.... e os botões?!
Opinião: Pelo que eu me lembro, o último livro que li do grande escritor Stephen King, foi Joyland [que logo será resenhado também, como parte do nosso projeto de leitura do King] logo quando foi lançado. Agora, depois de algum tempo resolvi ler aquele que será lançado por aqui como A Pequena Caixa de Gwendy pela editora Suma.

A escrita não mudou nada e continua sendo fluida, mesmo em conjunto, aconchegante e certeira. A diferença é que nesse livro ou melhor "novela", os extras da escrita ficaram de fora. Em se tratando de King, tenho certeza que ele poderia ter transformado esse pequeno livro de pouco menos de 180 páginas em algo de 800 ou mais, sem nem ao menos piscar. Mas, graças a seja lá quem for, não foi essa a escolha e A Pequena Caixa de Gwendy se tornou um novela enxuta e muito bem escrita, obviamente.

Os autores teceram a vida de uma garota por um período de 10 anos à partir de seus 12 anos quando ela tem um encontro estranho com uma pessoa estranha e que lhe entrega uma caixa estranha. Para quem já é leitor antigo do "mestre", não há como negar uma certa semelhança com "Trocas Macabras", que caso fosse um livro de contos, Gwendy faria parte dele com absoluta certeza.
Porém, as semelhanças, talvez, param por aí. A vida de Gwendy tem uma grande reviravolta que começa logo após ela conseguir a tal caixa. Pequenas mudanças começam a acontecer e outras realmente bem grandes também, e isso faz com que a paranoia de perder a tal caixa aflore na pequena Gwendy, a ponto dela encontrar um esconderijo para o objeto para que ninguém possa tirar dela aquele presente inusitado. 

É interessante ver a evolução da personagem de Gwendy ao longo dos anos, pois os autores tratam de assuntos relacionados a cada fase da idade mostrada na trama. Todos aqueles velhos clichés de crescimento são delineados em Gwendy, mas como não poderia deixar de ser, o perigo é jogado na trama aos poucos e é até previsível, mas quando ele realmente atinge seu ápice, nos toma de uma surpresa que é como se os autores não tivesse "avisado" antes ao longo de toda a história.

A Pequena Caixa de Gwendy não é um livro de terror. É mais crônica da vida comum de crescimento onde podemos encontrar suas mazelas, culpa, raiva, ódio, mas também suas alegrias, amor e redenção. Existem várias situações em que qualquer um de nós pode se espelhar tranquilamente e se solidarizar com Gwendy e suas escolhas. Afinal, crescer e ter que enfrentar escolhas é o caminho de todo ser humano. 
Outra coisa bacana que os autores fizeram nessa história, foi mesclar acontecimentos reais com a vida e as escolhas de Gwendy perante a caixa e seus botões, mostrando que cada escolha, realmente, tem sua ação e reação, mesmo quando não se faz escolha alguma.

A Pequena Caixa de Gwendy é um livro [novela] curto que pode ser lido em uma tarde, mas é uma experiência muito bacana e você acaba se afeiçoando aos personagens dessa pequena história, tanto que quando se chega em seu final ficamos com aquele gostinho positivo de quero mais. Se você gosta de Stephen King, leia sem medo e se você não o conhece e tem vontade, leia, pois ele vai lhe mostrar o porquê de ser aclamado como "MESTRE"! No final das contas, A Pequena Caixa de Gwendy é IMPERDÍVEL!
Sobre o autor: Stephen King é autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Joyland, Sob a redoma (que virou uma série de sucesso na TV ) e Novembro de 63 (que entrou no TOP 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Review e ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror/Thriller e o Best Hardcover Novel Award da Organização International Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos. Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

Richard Chizmar: nasceu em 1965 nos Estados Unidos, é escritor, editor e roteirista. Teve suas obras traduzidas para diversos idiomas e ganhou dois prêmios World Fantasy, quatro prêmios International Horror Guild e o prêmio Horror Writers Association Board of Trustee. Sua terceira coletânea de contos, A Long December, foi publicada em 2016 e recebeu críticas excelentes!

Sobre a edição: Pelo que pude ver, a editora Suma irá manter o padrão do livro como foi lançado nos Estados Unidos, ou seja, capa dura, arte original e com todas as ilustrações da história de Gwendy e sua caixa. O que por si só, já vale a compra. Seu lançamento está previsto para o dia 15 de outubro de 2018. Agora é só esperar e correr para garantir sua cópia.