Título: A Máquina do Tempo
Autor: Herbert George Wells
Tradução: Leonardo Castilhone
Editora: Martin Claret
Páginas: 161
Ano: 2018
ISBN: 9788544001929
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: “Vocês precisam me ouvir com atenção.” É assim que o leitor será transportado, guiado pelo Viajante do Tempo, para um futuro longínquo, onde conhecerá raças fascinantes e peculiares. H. G. Wells, um dos responsáveis por inovar a proposta dos romances de ficção científica, nos deixou uma obra incrível que continua sendo fonte de inspiração para autores e cineastas modernos.


Resenha: Herbert George Wells foi um escritor britânico e considerado um dos pais da ficção científica. O seu primeiro livro foi justamente "A Máquina do Tempo", um dos primeiros livros do gênero ficção científica e que é, praticamente, o precursor dos livros sobre histórias de viagens no tempo, tendo sido escrito em 1895. O romance começa com um encontro entre amigos na casa do "Viajante do Tempo" (personagem sem nome), que é um cientista e está trabalhando em um protótipo que vai permitir que as viagens no tempo sejam uma realidade. Ele compartilha essa novidade com os seus amigos que rapidamente duvidam que isso seja algo possível, mas ao mesmo tempo ficam extremamente curiosos em saber até que ponto o amigo excêntrico vai levar adiante essa história. Porém, o viajante consegue demonstrar aos amigos um vislumbre do que seria a viagem através do tempo.

"O viajante do tempo (como o chamaremos por ser mais conveniente) expunha um problema desconhecido para nós. Seus olhos acinzentados cintilavam, e o resto, que normalmente era pálido, estava ruborizado de empolgação [...]" p. 19.

Curiosos, os amigos do "viajante do tempo" retornam para a sua casa alguns dias depois, pois eles foram convidados para um jantar com a promessa de ser uma experiência única e imperdível em suas vidas. Mas eles não encontram o anfitrião em sua casa, pois na verdade ele realizou uma viagem para o futuro com o seu protótipo, o viajante do tempo foi parar no ano de 802.700, onde ele encontra um mundo completamente diferente do seu.  Nesse mundo ele vê pequenas criaturas humanoides chamada Elois, essas criaturas são pacíficas e frágeis, alimentam-se basicamente de frutos e vivem sobre a terra. Mas o viajante também conhece outras criaturas e que vivem abaixo da terra, essas criaturas são conhecidas como Morlocks. Ambas as criaturas vivem em aparente harmonia, algo completamente diferente da cidade de Londres do século XIX em que vive, mas o viajante também encontra ruínas que pertenceram a alguma civilização que não era da sua época e isso o deixa intrigado.

"Enquanto lá estava, contemplando aquele triunfo magistral do homem, a lua cheia, amarelada e curvada, surgiu de um transbordamento de luz prateada vinda do nordeste. As pequenas criaturas pararam de se movimentar lá embaixo, uma coruja silenciosa deu um voo rasante perto de mim e eu senti um arrepio de frio no cair da noite. Decidi retornar e encontrar um lugar para dormir." p. 69.

O viajante aproveita o seu tempo no futuro para estudar essas criaturas, desvendar os mistérios desse mundo e em seguida retornar para o seu tempo. Mas sua máquina acaba desaparecendo e é nesse momento que as coisas fogem do seu controle e alguns conflitos têm início. O viajante acaba ficando mais tempo do que pretendia no futuro, contudo, ele consegue retornar para o jantar e sua aparição é no mínimo aterrorizante aos olhos dos seus amigos, pois ele retorna ao seu tempo irreconhecível, em um estado totalmente deplorável e seus amigos demonstram uma enorme impaciência, mas ele pede um tempo para contar uma história que certamente vai valer a espera.
Opinião: A Máquina do Tempo para os dias de hoje pode ser visto como um livro comum, pois a viagem no tempo não é explicada com detalhes, é tudo muito simples. Mas para o seu tempo foi um livro inovador e é considerado um dos grandes clássicos da literatura de ficção científica. Na trama acompanhamos a história de um brilhante e genial cientista que tem a original ideia (para o seu tempo) de criar uma máquina que possibilite viagens no tempo, o que realmente consegue realizar. Nesse momento entra em cena um futuro vislumbrado pelo autor, um mundo em que os seres humanos foram extintos por motivos inexplicáveis e deram lugar para outros seres descendentes dos humanos e que vivem em um local aparentemente tranquilo e harmônico, inclusive respeitando o meio ambiente, mas que na verdade é um lugar selvagem.

É interessante observar que nesse mundo o viajante do tempo vê que o ser humano atingiu o seu ápice tecnológico, mas o protagonista acredita que o declínio do ser humano teve início justamente nesse ápice quando todas as necessidades foram atendidas, tornando o ser humano um ser frágil e dependente. É nesse cenário que entra a figura dos Elois que não apresentam qualquer das características necessários e que estão presente para sobreviverem em cenários e situações adversas, esses pequenos e frágeis seres humanoides são presas extremamente fáceis para os morlocks.

Herbert George Wells consegue mesclar temas como a ciência, política, filosofia, sociedade, viagem no tempo e aventura tudo em um mesmo enredo. Apesar de toda a simplicidade de sua ideia para a viagem no tempo, o autor nos leva a refletir sobre diversas questões, como convivemos com o próximo, como lidamos com o meio ambiente, o que podemos esperar no futuro e até mesmo se conseguiremos nos desenvolver em aspectos como educação e respeito para convivermos de forma harmoniosa em comunidade. Wells também nos leva a indagar sobre o impacto da tecnologia em nossas vidas, até que ponto ela é útil, se iremos dominar a tecnologia plenamente ou se seremos plenamente dominados por ela. Esse é um grande clássico da literatura, é um livro imperdível. Recomendo fortemente a leitura de "A Máquina do Tempo", que é uma rápida mas cheia de reflexões.
Sobre a Edição: A Martin Claret está de parabéns pela belíssima edição apresentada, a capa é estilo gibi. A edição é capa dura com acabamento fosco, o miolo é composto por duas cores: pantone azul e preto. As folhas são amareladas, a fonte e o espaçamento ficaram super confortáveis. Os capítulos são curtos e isso é extremamente positivo, pois deixa a leitura fluida. A edição conta ainda com sumário e uma introdução realizada pela Lillian Corrêa, mestre e doutora pela Universidade de Mackenzie. A revisão ficou excelente e a tradução ficou sob a responsabilidade de Leonardo Castilhone.
Sobre o Autor: Herbert George Wells, conhecido como H. G. Wells, foi um escritor britânico. Nos seus primeiros romances, descritos, ao tempo, como "romances científicos", inventou uma série de temas que foram mais tarde aprofundados por outros escritores de ficção científica, e que entraram na cultura popular em trabalhos como A Máquina do Tempo, O Homem Invisível e A Guerra dos Mundos. Visionário, chegou a discutir em obras do início do século XX questões ainda atuais, como a ameaça de guerra nuclear, o advento de Estado Mundial e a Ética na manipulação de animais. Desde muito cedo na sua carreira, Wells sentiu que devia haver uma maneira melhor de organizar a sociedade, e escreveu alguns romances utópicos. Ele analisa a dicotomia entre a natureza e a educação e questiona a humanidade em livros como A Ilha do Dr. Moreau. À medida que envelhecia, Wells foi-se tornando cada vez mais pessimista acerca do futuro da humanidade.