Título: O Livro e A Espada
Autor: Antoine Rouaud
Editora: Arqueiro
Páginas: 400
Ano: 2018

ISBN: 9788580418118
Onde Comprar: Amazon - Saraiva

Sinopse: 
O general Dun-Cadal foi um dos maiores heróis do Império, mas hoje não passa de uma sombra do que foi, embriagando-se no fundo de uma taberna. Traído pelos companheiros e amargurado pelo desaparecimento de seu jovem aprendiz, Dun-Cadal não quer mais saber de política, batalhas, pessoas. É justamente ali, na taberna escura, que a jovem historiadora Viola vai encontrá-lo. Ela procura a Espada do Imperador, uma relíquia desaparecida no caos da revolução que derrubou a monarquia, teoricamente escondida por Dun-Cadal. Viola também espera descobrir quem é o assassino sem rosto que começou a agir na cidade, matando os antigos companheiros do general, que viraram as costas aos seus ideais para aderir à nova República. Graças à moça, o velho guerreiro vai vasculhar as lembranças de uma vida de glória e seus mais terríveis arrependimentos. À medida que ele conta sua história, os fantasmas do passado vêm à tona, reacendendo antigos rancores e a sede de vingança de um homem que se entregou ao caminho da fúria.

Resenha: O Livro e A Espada foi um dos lançamentos da Editora Arqueiro no mês de Março nesse ano de 2018, e no campo da literatura fantástica não foi o único até o momento. Eu particularmente fiquei surpreso ao ver esse livro na listinha de lançamentos do mês, e de cara fiquei super intrigado com a capa, confesso também que não conhecia o autor francês Antoine Rouaud. Essa surpresa não foi somente minha, alguns amigos que possuem o hábito de ler literatura fantástica também desconheciam o autor. Mas chega de conversa, vamos à resenha.

Rouad nos apresenta Viola, uma jovem mulher que trabalha como historiadora. Viola está em busca da Espada do Imperador, essa arma é uma relíquia que desapareceu em meio ao caos da revolução que colocou abaixo a monarquia e segundo as lendas, essa espada foi escondida por Dun-Cadal. Querendo solucionar esse mistério, a jovem vai até a cidade portuária Massália onde pretende encontrar-se com o agora idoso Dun-Cadal Daermon. Esse homem fora um general de guerra e servia ao antigo Imperador Reyes. Agora, Dun é nada mais do que um velho alcoólatra e fracassado, ele vive pulando de taberna em taberna consumido álcool, vivendo de suas glórias no passado e tendo pela frente um futuro extremamente incerto.

"(...) Situada nos confins do mundo, distante da cidade imperial, constituía o derradeiro vestígio de civilização antes do oceano do Oeste, até então inexplorado. De seu porto zarpavam diversos navios mercantes rumo às ilhas Súdias ou, costeando o litoral, em direção às cidades do Norte." p. 9.

Logo no primeiro contato de Dun com Viola o ex-general fica desconfiado, pois após a instauração da República, várias pessoas que eram favoráveis ao regime monárquico foram executadas, o que foi chamado de expurgo. Viola consegue sutilmente demover Dun-Cadal de qualquer desconfiança e o antigo general aceita contar um pouco de sua história que está intimamente ligada com a história do antigo Império. Aos poucos, com um pouco de incentivo e doses de álcool, Dun passar a narrar tudo o que ocorreu desde o início da revolução, algo que teve início com uma revolta pequena e restrita. 
Logo no início da sua narrativa, Dun nos fala sobre a importante Batalha de Salinas, batalha essa que deu início a queda do Império. Essa batalha teve origem devido a opiniões divergentes, seguidas de fortes debates, mas que ao final tornou-se uma longa e sangrenta batalha, tudo graças ao ego do general Étienne Azdeki, um homem que pertencia a elite e era extremamente orgulhoso, ele por sinal era um grande desafeto de Dun-Cal. Diante dessa batalha, Dun-Cal e outros generais são chamados para dar fim a revolta que tornou-se uma grande batalha, mas quando Dun é convocado, a revolta encontra-se fora do controle e torna-se uma verdadeira e grande guerra. 

"A roda logo tornou a fechar-se em torno do animal e Dun-Cadal escolheu o flanco para desferir o golpe. Nem chegou a arranhar sua couraça. O ruargue soltou um urro e firmou-se nas garras para virar. O general recuou com um salto. Lanças atingiram a espessa pelagem do monstro e se quebraram, o que só o deixou ainda mais furioso (...)" p. 29.

Guiado pelo código de honra e principalmente pela promessa que fez em defender o Império à qualquer custo, o até então general Dun-Cal acredita cegamente nos seus líderes e soberano. É nesse período que Dun conhece um garoto chamado Rã, o garoto salvou Dun e este resolve pegar o jovem como pupilo, ensinando a arte da guerra, mas quis o destino que uma grande reviravolta surgisse nas vidas de Dun e Rã.

"- Um símbolo que você teve o cuidado de não deixar em Émeris. Não surpreende que o homem que passou a vida servindo e dando tudo de si a um Império queira levar consigo um pedaço dele (...)" p. 186.

Contudo, Viola e Dun não podem viver do passado, por mais que o mesmo seja glorioso e rico em eventos, eles acabam descobrindo que o presente também requer a atenção deles, pois um assassino está correndo solto pela cidade portuária de Massália e vários conselheiros da nova república estão sendo assassinados, conselheiros esses que no passado serviram ao Império e foram amigos de Dun. Tudo leva crer que esse assassino fez parte do glorioso Império e agora busca vingança contra todos que traíram o Imperador Reyes, agora o passado poderá ser fundamental para descobrir a identidade desse misterioso assassino.
Opinião: O Livro e A Espada é um livro espetacular e rico em elementos da literatura fantástica. O autor nos apresenta uma história sobre vingança e redenção, ele consegue mesclar elementos como dragões, política, conspirações, reviravoltas e suspense, servindo ao mesmo tempo como um romance de cavalaria. Os treinamentos militares e as cenas de batalhas são alguns dos diferenciais do livro e enriquecem essa bela trama elaborada por Rouaud. A leitura foi bem tranquila, a narrativa é ágil e extremamente envolvente e alterna entre o passado e o presente. O autor não enrola e não apresenta ao leitor momentos arrastados em sua trama.

O tom empregado por Rouaud é praticamente poético e a cada desenrolar eu fiquei ainda mais curioso sobre o que iria acontecer em seguida. O autor ainda consegue nos levar para o campo da reflexão, pois nos leva a repensar sobre a busca incansável do ser humano pelo poder e a influência da sociedade em nossas vidas. O Livro e A Espada é uma leitura imprescindível para todos os fãs de literatura fantástica.
Sobre a Edição: O projeto gráfico apresentado pela Arqueiro ficou muito bom, a capa é muito bonita, as folhas são amareladas e tanto a fonte como o espaçamento ficaram confortáveis. A diagramação ficou muito boa, adorei!
Sobre o Autor: Antoine Rouaud nasceu na França em 1979 e passou a infância escrevendo histórias, imaginando roteiros e compondo canções antes de entrar para o mundo do rádio. Hoje em dia ele é redator e trabalha com premiadas radionovelas. O Livro e a Espada foi indicado ao David Gemmel Awards como melhor estreia literária.