Não resta dúvida que Christopher Nolan é um dos diretores mais competentes e aclamados pelo público e pela crítica de sua geração. O diretor é responsável por obras de peso como Amnésia lançado em 2000, Insônia baseado no livro homônimo de Stephen King e lançado em 2002, quando dirigiu ninguém menos do que os atores Al Pacino e Robin Williams, além é claro dos filmes O Grande Truque, A Origem, Interestelar e a trilogia Batman com Christian Bale, comprovando a sua diversidade de gênero no cinema, transitando pelos campos do drama familiar ao campo da ficção científica. 

Christopher Nolan retorna agora com Dunkirk, filme que foi baseado no best-seller homônimo de Joshua Levine, o filme retrata alguns acontecimentos durante a Segunda Grande Guerra Mundial, em especial no que diz respeito a Operação Dínamo, que tinha por objetivo retirar as encurraladas tropas britânicas pelos alemães quando foram invadir a França. É importante ressaltar que a Batalha de Dunrkirk aconteceu entre os dias 26 de maio e 4 de Junho no ano de 1940. Nessa oportunidade, a cidade que dá nome ao filme, localizada no litoral da França, foi cercada pelas força armadas alemãs e cerca de 400 mil homens das forças armadas britânicas encontraram-se sem saída, sem provisões e principalmente, ficaram sem esperanças.
A história em Dunkirk é contada e dividida em três perspectivas, sendo elas no ar, no mar e na terra, de modo que cada visão tem sua própria linha temporal. No ar vamos acompanhar a trajetória de Ferrier (Tom Hardy) que recebe a companhia de mais dois pilotos para batalhar no Canal da Mancha. No mar, temos como protagonista o Senhor Dawson (Mark Rylance) e seu pequeno grupo de barcos pesqueiros que partem em busca dos soldados cercados em Dunkirk. Por fim, na terra acompanhamos a rotina dos soldados que precisam enfrentar a desesperança e o terror da guerra, enquanto desejam retornar para suas casas.
Opinião: Christopher Nolan, além de dirigir Dunkirk também foi o responsável pelo roteiro. O cineasta contou com uma ajuda valiosa para a construção do seu filme, tendo ao seu lado o historiador Joshua Levine na produção, detalhe esse que garantiu a fidelidade dos fatos. A experiência que Nolan leva ao público é original. O filme é imersivo, uma experiência avassaladora, repleta de brutalidade, desespero, onde tiros, explosões, mortes e gritos tornam-se algo bastante verossímil. Dunkirk não é um filme que preza pelo patriotismo ou heroísmo exacerbado, é um filme menos poético que desfere logo um soco em nosso estômago.
A Segunda Guerra Mundial é um tema amplamente explorado e disseminado, mas Nolan nos mostra um conflito com dois lados distintos, o bem e o mal, criando personagens complexos e explorando as fraquezas humanas, mas também as qualidades inerentes aos seres humanos. É ainda interessante que apesar do filme ser ambientando em 1940, 77 anos atrás, Dunkirk consegue nos levar ao campo da reflexão, abordando aspectos como a indiferença ao próximo, como o orgulho e egos inflados podem respingar sobre vidas alheias. Nolan reafirma a ideia de que devemos conhecer a história para não repetirmos os erros do passado.
Nolan consegue nos envolver e contar essa história de uma forma única. Esse é um filme original que merece todo o destaque, tendo em vista que estamos em uma fase onde franquias e blockbusters estão reinando. Dunkirk é um filme com conteúdo, com embasamento histórico, toca o nosso coração e nos emociona. Tecnicamente Dunkirk está entre os melhores filmes do diretor, se não for o melhor. É espetacular a forma como Nolan trabalha os aspectos visuais e sonoros, em especial as cenas de batalha. Dunkirk é sem sombra de dúvida uma das melhores produções de 2017 e coloca Nolan em uma boa condição para concorrer ao Oscar de 2018 na categoria de melhor diretor. A editora HarperCollins Brasil publicou o livro de Joshua Levine, eu quero ler Dunkirk e vocês?