A Face dos Deuses é uma obra do autor brasiliense Gleyzer Wendrew. O presente livro é o primeiro volume das Crônicas da Aurora, trata-se de uma obra de fantasia e foi publicada pela Editora Kiron.

Título: A Face dos Deuses (As Crônicas da Aurora - Volume 1)
Autor: Gleyzer Wendrew
Editora: Kiron
Páginas: 180
Ano: 2016
ISBN: 9788581134840
Onde Comprar:
 As Crônicas da Aurora

Sinopse: Heros Kinnhäert, rei de Maäen, ainda é atormentado pelos horrores vividos durante a Longa Guerra, e tudo que deseja é descansar em paz. Mas ao saber da terrível aliança entre dois grandes senhores, vê-se preso em uma teia de conspirações nunca antes vista, e não medirá esforços para evitar a destruição de seu país…
No Norte, Koran K’Voöhk é um orgulhoso guerreiro que retorna à sua cidade após o exílio que lhe foi imposto ainda garoto, e depara-se com a mais pura decadência: sua Família está em declínio; seu castelo, abandonado aos ratos; seus inimigos, ainda mais poderosos… Conseguirá ele reerguer o nome de sua Família e recuperar o prestígio que ela um dia tivera?
Mentiras, laços frágeis, falsas emoções e adagas traiçoeiras permeiam um mundo cercado de religião, política e deuses misteriosos.

Resenha: A Face dos Deuses nos traz a história dos reinos que fazem parte do continente de Dünya. Uma vez no continente, nós vamos visitar os países de Maäen ao sul, onde acompanhamos o rei Heros Kinnhäert que vem sobrevivendo ao luto da perda do seu irmão. Também conhecemos o país de Vatra no norte, onde temos como personagem principal Cleyo, além do país Venn no oeste, que é governado por Kazoya.
Nesse continente, muitos anos atrás ocorreu um grande conflito que arrasou o continente e ficou conhecido como a Longa Guerra, nesse conflito centenas de milhares morreram nos embates, o que trouxe cicatrizes e memórias tristes para todos os lados.

Após o término da guerra, nenhum tratado de paz foi acordado entre as nações participantes e mesmo com um convívio aparentemente pacífico após o término da mesma, o convívio é delicado, qualquer movimento em falso poderá reacender a chama da guerra.

"O homem, chamado Rael, deu um passo à frente, retirou uma adaga de dentro da capa e passou-a na garganta do haähn, que nem sequer viu tal movimento antes de cair contorcendo-se no chão com as mãos na garganta, numa tentativa inutil de fazer para o sangramento mortal e impedir que sua vida frágil escoasse pelo chão de pedra daquele beco escuro." p. 14.

Tudo começa quando Heros, rei de Mäaen decide ignorar diversas cartas que recebeu de Kazoya, para ajudá-lo a encontrar o Tesouro de Venn, que desapareceu por volta de nove meses atrás. Com tal recusa, Heros não imaginava os caminhos que estava escolhendo para sua família e seu povo, pois o inimaginável acontece, Kazoya lança-se em uma aliança com Cleyo, o líder de Venn e inimigo dos povos de Dünya.

"Quando os meninos finalmente conseguiram encurralá-lo numa rua sem saída, viram o padeiro se agarrar a um pedaço de pau, brandindo-o no ar de forma ameaçadora e jurando que mataria qualquer um que chegasse perto." p. 61.

A aliança entre Cleyo e Kazoya é forjada através do casamento de Isäh (filha de Cleyo) com Mäthias (herdeiro de Kazoya), unindo os povos que outrora quase se exterminaram naquela que ficou conhecida como a Longa Guerra. 

Diante dessa aliança o Kennëg Heros, para evitar uma nova guerra, enfraquecido politica e militarmente em face essa aliança, acaba cedendo o seu filho mais novo Antau, para ser criado em Vatra. Dessa forma, Heros se vê em um campo repleto de intrigas e conspirações, em que qualquer decisão errada que tomar, poderá afetar a paz e por em cheque tudo o que foi reconstruído após a Longa Guerra.

Opinião: A Face dos Deuses é o primeiro volume das Crônicas da Aurora, apesar da obra ser relativamente curta, com aproximadamente 180 páginas, se mostrou rica em detalhes. Gleyzer nos apresenta inúmeros personagens, bem construídos por sinal, alguns com maiores participações e outros com menores, mas todos com sua devida importância.


Gleyzer ainda aborda a economia, política, religião e sociedade de um modo geral de cada país, cada um com suas peculiaridades que os fazem únicos. No que tange ao campo da religião, o autor nos apresenta um total de sete divindades, cada um representando uma condição, estado de espírito. Temos Aehla que é a deusa da esperança, Fyaär o deus do ódio, Läa a divindade da tristeza, Süunt o deus-sol, Sürm o deus do caso, Vaäth a deusa do medo e por fim, Vhäel que representa a vida.
A leitura fluiu muito bem, consegui ler a obra rapidamente. Os capítulos são apresentados no presente e passado, dessa forma o autor nos apresenta diversos acontecimentos para que possamos entender o presente. 
Gleyzer finaliza sua obra de apresentação deixando diversos mistérios no ar e é claro, me deixou muito curioso e com extrema vontade de ler o próximo volume. Além disso, a Face dos Deuses é uma fantasia muito realista, cruel e brutal, repleta de detalhes e muito original. A única dificuldade que tive foi em relação aos nomes.
A edição é bem trabalhada, possui orelhas, folhas amareladas, fonte confortável, além de um mapa que facilita o entendimento do leitor quanto aos movimentos dos personagens durante a narrativa, bem como a localização dos países. Além disso, ainda temos um apêndice ao final do livros, com significados de alguns termos apresentados na história. 

Por fim, o autor incluiu os Brasões de todas as grandes famílias presentes em Dünya. As Crônicas da Aurora vai ser uma tetralogia. Recomendo a leitura de A Face dos Deuses que se mostrou magnífica.