Para aqueles que ainda não sabem, A Torre Negra é um série composta por oito livros e foi escrita por Stephen King que é considerado o mestre do terror moderno. A série conta com mais de 4.000 páginas repleta de magia, fantasia, faroeste e robôs, assim pode ser considerada um enorme desafio para qualquer diretor e roteirista que tente adaptar o mundo de Roland de Eld para o cinema ou para a TV. O projeto ficou alguns anos engavetado até que o diretor Nikolaj Arcel em conjunto com o roteirista e produtor Akiva Goldsman conseguiram encarar esse enorme desafio para levar este filme ao telespectador. 

Em "A Torre Negra" conhecemos Jake Chambers (Tom Taylor, da série "The Last Kindgom" onde interpretou o jovem Uhtred de Bebbanburg), um garoto nova iorquino de apenas catorze anos que constantemente tem alguns sonhos envolvendo monstros, outros mundos e diversas crianças que são aprisionadas por um misterioso homem vestido todo de preto (Matthew McConaughey). Essas crianças são capturadas e utilizadas para destruir uma gigantesca torre que visa proteger o mundo. 

Esses sonhos recorrentes começaram a se manifestar logo após Jake perder o seu pai e sua mãe de forma traumática. As pessoas ao redor de Jake acreditam que esses sonhos são na verdade relacionados ao trauma sofrido pelo garoto, sendo um efeito colateral. Contudo, em certo momento Jake percebe que os seus sonhos estão relacionados a algo maior, por isso ele resolve partir em busca de outro personagem de seus sonhos, um misterioso pistoleiro que ele acredita ser o único que pode ajudá-lo em acabar com o homem de preto e seus planos.
Em busca por respostas, Jake acaba utilizando algumas pistas que ele reuniu em seus desenhos e, em certo momento, encontra um portal, porém ao entrar nesse portal, ele acaba cruzando uma barreira entre o seu mundo e um mundo totalmente novo. Nesse local, o garoto acaba encontrando Roland, o último pistoleiro ainda vivo que busca uma vingança contra o Homem de Preto.

Opinião: A Torre Negra é uma mescla de gêneros e tem alguns momentos engraçados, mas também um pouco de terror, drama, aventura e muita ação. Apesar de apresentar boas ideias, a história não se inicia com Roland, mas com o garoto Jake Chambers em sua jornada inicial na Terra. Aos poucos o diretor nos apresenta os pontos principais do filme, como a importância da torre em relação ao destino da humanidade.
O filme mostra-se confuso em alguns momentos, pois fica claro que tentaram aproveitar e reunir as características dos diversos livros da série em um filme com duração de apenas uma hora e trinta e cinco minutos. Como eu disse acima, o filme tem boas ideias, um bom conceito, mas tudo é apresentado de forma rápida, sendo difícil para o telespectador ficar envolvido na película. Para agravar a situação, em diversos momentos questões e problemas diversos são demonstrados sem ao menos ter ocorrido uma correta contextualização.
Para aqueles que nunca leram A Torre Negra, o conceito de "Pistoleiro" não fica claro, pois esse é visto como um herói, alguém a ser respeitado e temido, mas quem tem o primeiro contato com essa figura poderá ficar perdido. Outro aspecto negativo do filme é que a história dos pistoleiros não é contada. É possível que o filme acabe agradando mais aqueles que já conhecem a Saga Literária do que aqueles que estão tendo o primeiro contato com esse universo através do filme.

Achei positivo o fato do diretor e os quatro roteiristas explorarem o fantástico, bem como trabalhar as diferenças entre os dois protagonistas, demonstrando as perdas, os dramas e objetivos de cada um. Os efeitos visuais são bem legais, a trilha sonora ficou muito boa e também curti os figurinos. Achei legal os easter eggs que estão no filme, isso são segredos escondidos que remetem aos personagens criados por Stephen King em outros livros.
A Torre Negra acaba sendo um filme para aqueles que querem algo sem muitas pretensões e uma aventura leve, tendo em vista que os personagens e as ideias foram mal executadas. Por fim, fica claro que A Torre Negra não traz nenhum impacto e nada de novo. Faça como eu fiz quando fui assistir Rei Arthur: A Lenda da Espada, assista sem maiores pretensões e se desligando das lendas arturianas. Tente desligar-se do universo criado por Stephen King, aproveite o filme e talvez a sua experiência seja melhor do que a minha, pois no final das contas, o filme foi razoável para mim.